Falo de coisas que nos fazem ser o que somos.
Olhar em pretensões de Ver.
Esperar em pretensões de que cheguem.
Falar em pretensões de que oiçam, ouvir, em pretensões de que falem.
Inúmeras vezes rotulamos as coisas com uma definição pessoal; medimos as coisas a metro, como se conseguíssemos chegar à medida certa, opulentos, no nosso ângulo linear de significados. Inúmeras vezes olhamos sem Olhar, chegando apenas aonde conseguimos chegar e não aonde as coisas realmente chegam. Olhar à volta ajuda-nos a olhar para dentro de nós mesmos, sob a profundidade que se pressupõe em viver, sem a pretensão de descobrir de que matéria é feito o pensamento... porque há segredos incluídos no tempo e excluídos do entendimento.
Inúmeras vezes esperamos, mas porque sabemos que, dentro da cápsula do tempo que gerimos, virá quem queremos na cronologia que controlamos. Mas esperar sem ver o retorno dessa cápsula, nas mãos do nosso bem-desejar, torna-se desperdício de tempo. Ao abrigo destas cápsulas, nós viajamos, quase sem pararmos. Corremos em contra-mão se necessário for, à velocidade dos dias na vida. E Esperar faz parte do conteúdo não programado daquilo que designamos por existir. Parar obriga-nos a pensar em ir ou ficar, em abrir velhas feridas e sará-las de vez, em prosseguir cada vez mais certo do que é acertado. Esperar para voltar a esperar, enquanto a espera não deixar de ser obrigatória e passar a ser um direito, muito mais que um dever.
Inúmeras vezes falamos, porque queremos ser ouvidos. Na métrica das linhas que compõem o livro que escrevemos, vão tantas vezes os sons de quem só sabe as palavras e as frases decoradas, e não se dispõe a ouvir palavras aprendidas. O desejo de ser ouvido para ser lido é incomparavelmente superior ao de ouvir para saber ler, com os olhos e as mãos a saberem a carinho e gestos de humildade...
Nosce te ipsum...

